A Vida É Um Videojogo

Por Sara

A vida é um longo videojogo, tão longo que demora 9 meses a carregar. E ainda antes de começares a jogar há várias decisões importantes a tomar que te levarão, ou não, a conseguir terminar o jogo com vida. Durante esse processo és tu que vais escolher as características do personagem que desejas encarnar, aquelas que te darão vantagem. Olhas bem para o painel de opções e começas a desenhá-lo como quem vai às compras com uma receita em mente, enchendo o carrinho com aquilo que te interessa: escolhes a tua personalidade (zodíaco), o teu carácter (planetas), o teu temperamento (elementos) e o teu contexto (género, raça, orientação sexual, país, língua, estrato social, família).

Escolhido o cenário envolvente e o teu próprio perfil é altura de entrar em acção… Mas espera! Não é assim tão fácil. Ao início, como não sabes jogar, e os elementos que seleccionaste ainda estão bloqueados, vais ter que passar por 21 anos de tutoriais obrigatórios – isto se escolheste ir parar a uma das zonas privilegiadas caso contrário vais ter que aprender as regras por conta própria. E pronto, finalmente entras no jogo à séria! No entanto, rapidamente vais perceber que as explicações que ouviste de pouco ou nada servem para o que vais realmente enfrentar. Nada te preparou para as dificuldades de interacção com as outras personagens.

Quando todas as características seleccionadas estão finalmente desbloqueadas e em funcionamento, dás por ti completamente submerso no mundo virtual, tão imbuído no jogo que te esqueceste que estás sentado à frente dum ecrã e limitas-te a ir respondendo às necessidades das barras de energia do teu avatar… Esqueceste-te que estás num videojogo! Pudera, durante os tutoriais ninguém te explicou que tu não és só o bonequinho virtual que traga bolas vagarosamente ou que anda aos tiros às outras personagens – TU ÉS AQUELE COM O COMANDO NA MÃO.

 

Nunca deste por ti a pensar algo como

“Eu já não me aguento?”

Repara como há dois sujeitos nesta frase.

Há um “Eu” que observa o “me” de fora:

a Consciência que observa o Ego, a personagem que vestes.

 

As dificuldades que vais encontrando pela vida são desafios que tens que ultrapassar, são como mini-jogos. O que fazes para os superar é contigo – há quem use cheat codes, há quem fique a dar cabeçadas contra o obstáculo à espera que ele ceda, há quem desista do jogo e há ainda quem perceba que há uma finalidade nesse desafio: cada barreira que encontras é um professor camuflado, uma catapulta para o nível seguinte do jogo.

Ninguém te explicou que os outros bonequinhos que ali andam aos saltos também não sabem que estão num videojogo e, portanto, também eles estão presos às amarras da sobrevivência, escravos das barras de estado que constantemente descem a níveis vermelhos. A energia esgota-se com facilidade quando não se percebe o propósito de andar a tragar bolas, presos no mesmo nível indeterminadamente. E também ninguém te explicou que tu e os outros bonequinhos são apenas diferentes facetas de quem tem o controlo na mão. Isso não significa que aquilo que passam, sentem e vivem não é real – é real, mas é relativo. Não és tu. Tu és muito maior que isto e és uno com os outros. E se os ajudares a evoluir no jogo, estarás a ajudar-te a ti próprio a subir de patamar.

E o que acontece quando os créditos se esgotam, o ecrã fica negro e aparecem em letras garrafais as infames palavras GAME OVER? Ninguém sabe. Há quem diga que temos direito a um, ou mais, do-overs. Jogo após jogo, vida após vida, presos neste ciclo, até conseguirmos enfrentar o final boss e sairmos desta roda de sofrimento. Mas afinal em que nível está escondido esse passaporte para o duelo final? Já jogaste este jogo vezes sem conta, mudaste radicalmente o teu perfil e mesmo assim não consegues encontrá-lo em lado nenhum?

O segredo é que o final boss está dentro de nós – tudo o que temos é que nos recordar de onde viemos e do nosso poder enquanto criadores e não apenas actores da nossa história… e puff, como por magia ganhamos poderes ilimitados e já não há vilão que nos pare. Aproveitemos o tempo que cá estamos e, seja lá o que for que nos espera a seguir, o melhor é divertir-mo-nos enquanto jogamos.

4 comentários
  • Andreia
    Responder

    Absolutamente fantástico… Sem palavras! ❤️

  • Patrícia Zen
    Responder

    Finalmente li! Yay!! E gostei tanto Sara! É uma analogia fabulosa.

    • Sara
      Responder

      Yes! Acho que é uma forma libertadora e empoderadora de olhar a vida 😉

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