Diz-me Com Quem Andas #6 Atrey

Este é o Koldo, ou Atrey, como prefere ser chamado. À primeira vista, ninguém saberia reconhecer a profunda riqueza interior que existe dentro deste jovem basco, de apenas 27 anos. Como a sabedoria dele é demasiado preciosa para ser mantida oculta, consegui sacar-lhe, quase a saca-rolhas, esta breve sinopse do que ele tem para oferecer ao mundo. Ora leiam…

 

 

O meu nome verdadeiro é Koldo e sou uma pessoal igual a todas as outras, tento viver a minha vida da melhor maneira que posso e sei. Dedico-me profissionalmente a dar aulas de guitarra – a música é uma das minhas maiores paixões, tanto ouvi-la como tocá-la. Além disso, interesso-me por filosofia e por aprender sobre tudo, penso que é preciso ter a mente aberta já que podemos aprender com tudo, inclusive com aqueles que têm ideias contrárias às nossas. Gostaria de começar por descrever como me interessei por espiritualidade, filosofia e meditação…

 

Introdução

 

Durante muito tempo neguei-me a mim mesmo, agindo como alguém que não era, ainda que no fundo o meu eu verdadeiro nunca tenha desaparecido pois a chama dentro de mim não se apagou. Numa dada altura, tive uma crise que me levou a pensar em como já tinha sido feliz e como queria voltar a ser como era em criança, e foi assim que comecei o meu caminho de introspecção. Embora esse percurso tenha começado lá atrás (no fundo, desde sempre) pode-se dizer que foi aí que abri a porta ao espiritual.

 

A propósito da banda de música metal Ghost, que tinha esse registo, comecei por querer saber no que consistia o satanismo, o que me levou a ler a bíblia satânica de Lavey, porque queria compreender do que realmente se tratava, já que não tinha nenhuma lógica que fosse apenas uma adoração ao demónio. Lavey foi um homem que viveu num ambiente de grande rigor religioso, creio que é necessário entender a sua época e envolvência para compreender o livro. Resumidamente, a filosofia satânica fala em conectar-se com as emoções do ódio, ira, agressividade, etc, entendendo-as como parte do ser humano; vejo isso como uma meia verdade pois, realmente, esses sentimentos formam parte do ser humano já que todos temos um lado obscuro (veja-se o trabalho de Carl Jung sobre “A Sombra”) mas o problema é ficar-se por ali e não transcendê-lo.

 

Diz-se que o que separa os humanos da iluminação é não reconhecerem o seu lado negro. No meu caso, ler isto ajudou-me a reconhecer este tipo de emoções sendo que, desta maneira, pude entendê-las mas não negá-las (dado importante). Há que referir que o processo nunca acaba, como se diz em alquimia “solve et coagula”, ou seja, dissolve e coagula (volta a juntar) pois é deste modo que a pedra filosofal se vai tornando cada vez mais pura…  Foi graças a esta leitura que me comecei a interessar por temas mais esotéricos como a magia, a filosofia, a alquimia, a espiritualidade, a meditação, etc. Ao início, encarava-os de um ponto de vista mais psicológico e racional mas, a pouco e pouco, fui abrindo a minha mente.

 

Busquei a felicidade por todo o lado mas no fundo continuava com essa sensação de vazio, de estar incompleto, que muitos saberão reconhecer, até ao momento em que me cansei de procurar e simplesmente me deixei levar pela corrente. Relaxei e, nessa altura, compreendi muitas coisas e entendi que tudo estava bem desde o início. Tal como dizem muito místicos “tudo é perfeito na sua imperfeição”. Senti que voltara a ser quem era em criança (obviamente com a maturidade de um adulto, não voltei a ser insensato e desmiolado, pelo menos assim o espero hahahaha) mas senti que era um recomeço, um retomar do ponto onde tinha parado.

 

Espero não ser mal interpretado em relação ao que disse sobre “tudo estar bem desde o início”, não me refiro a ficarmos parados sem fazer nada pelos outros e deixá-los sofrer, a empatia também faz parte da nossa natureza e não devemos esquecer-nos dela – refiro-me a sentir que, na realidade, já estamos completos por dentro e que o mundo se trata de um equilíbrio entre opostos. Costuma-se ouvir isto da boca de muitos mestres e eu mesmo ficava algo irritado quando o lia ou escutava, portanto queria esclarecer essa ideia, dentro do possível.

 

Como alimento a mente, o corpo e a alma

 

Penso que alguém está equilibrado quando o seu corpo, mente, alma e espírito estão integrados e “caminham” na mesma direcção. Por esse motivo, acho importante conhecê-los bem já que os aspectos que desconhecemos em nós mesmos funcionam de maneira descontrolada, ou seja, seria o mesmo que termos uma carroça com quatro cavalos a puxar em direcções diferentes, movendo-se de forma desajeitada.

 

Para manter o meu corpo são pratico desporto, tenho uma alimentação equilibrada, com bastante fruta e verduras, evitando alimentos processados e muito açucarados. Tudo isto sem dogmas, se um dia precisar comer um bolo ou fazer uma refeição fora de casa (sem fazer disso um hábito) faço-o sem problemas. Creio que a chave é conseguir ter um equilíbrio já que há pessoas que têm dietas muito restritivas e chega ao dia em que não aguentam mais e devoram o frigorífico inteiro, e aí é pior o remédio que a doença.

 

Costumo fazer meditações do tipo contemplativo (prefiro mantê-las simples) de manhã e à noite, e gosto muito porque é uma forma de fazer uma pausa. Não me considero de todo o maior expert em tarot mas é uma prática que me agrada e me ajuda a manter a minha mente e alma organizadas (entendendo a mente como o lado racional e a alma como o emocional) e faço-o da seguinte forma: utilizando os 22 arcanos maiores do tarot, retiro uma carta por dia e reflito sobre ela, interligando-a com o que se vai passando na minha vida e, de facto, já me ajudou a descobrir muitas coisas. Porventura alguns de vocês podem ter relutância em relação ao tarot mas não é muito diferente de um teste como os que utilizam os psicólogos – algo bastante diferente do que os típicos tarólogos de televisão fazem, utilizando uma ferramenta que desconhecem para enganar as pessoas.

 

Entendo o espírito como aquilo que está por detrás de todas as coisas, algo que não se pode descrever e que engloba toda a existência. É o silêncio no qual tudo ocorre, alguns chamam-no de Consciência, outros de Deus, outros de Brahman… Na realidade, não importa o que lhe chamemos, cada um que o faça como preferir. No meu caso utilizo um ou outro dependendo do contexto ou da pessoa com quem estiver a falar, adaptando a linguagem à situação.

 

Por fim, gostaria de pedir que não tomassem nada do que eu digo como um dogma ou verdade absoluta e que façam a vossa investigação por vocês mesmos, já que é a melhor forma de se conhecerem e desenvolverem a vossa forma de pensar.

 

A verdade não precisa de ser defendida já que, pela sua natureza, se defende a si mesma, portanto não há que ter medo de questioná-la – esta irá revelar-se por si própria à medida que vá saindo, pouco a pouco, o pó que a cobre.

 

Termino, assim, a minha apresentação e despeço-me de quem estiver a ler. Se me permitem, continuarei a explicar a minha forma de pensar e de ver a vida em artigos futuros que, espero, possam vir a ser úteis e trazer algo de valor para alguém.

13 comentários
  • Joana Silva
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    Gostei muito de ler. Algumas coisas fizeram uma luzinha ligar-se na minha mente, o que significa que tenho algumas coisas sobre as quais vou reflectir. Muito bom. Obrigada a ambos.

    • Sara
      Responder

      É muito bom quando isso acontece Joaninha, é sinal que estávamos mesmo a precisar de ouvir essas coisas. E o melhor é que vamos poder continuar a ler os artigos do Atrey aqui no Vikasa 😀

    • Atrey
      Responder

      Obrigado Joana, fazes muito bem em refletir, o que nós temos que fazer é entender as coisas à nossa maneira, todos nós vivemos em circunstâncias diferentes e é por isso que duas pessoas diferentes não descrevem as coisas igualmente, embora de fato ambas falem de o mesmo. É por isso que existem diferentes religiões, na verdade todas falam sobre a mesma coisa, mesmo que isso seja esquecido e é por isso que elas lutam umas com as outras.

  • Patricia Zen
    Responder

    Ai Sara!! Adorei este testemunho! Que refrescante! Toda a gente devia ler isto….obrigada a ambos! Gostei muito de conhecer o Koldo 🙂

    • Sara
      Responder

      Eu também acho que toda a gente devia ler isto!! Aliás, que toda a gente vos devia ler a todos! Pegar em tudo o que vocês foram relatando ao longo destas semanas, juntar à sua experiência pessoal e reflectir sobre as suas vidas… Não faltaram temas e pessoas o mais diversas possível. E a saga continuará! Era, e é, este o meu objectivo em trazer todos estes colaboradores, estas “personagens” incríveis que fui atraindo para a minha vida e que quero compartilhar convosco. Porque vocês merecem partilhar as vossas aprendizagens e as pessoas merecem beber do vosso conhecimento. 😉

    • Atrey
      Responder

      Obrigado Patricia, fico feliz que tenhas gostado e é um prazer ler um comentário tão positivo.

  • Carla Marques Pinto
    Responder

    Obrigada pelo seu texto, quando nos encontra-mos em estados semelhantes é sempre muito agradável lê-los para percebermos que não estamos sozinhos

    • Sara
      Responder

      Nunca estamos sozinhos Carla! Sempre que precisares sabes que tens com quem desabafar 🙂

    • Atrey
      Responder

      No meu caso nos shows ao vivo do youtube encontrei pessoas que estavam interessadas nas mesmas coisas que eu, na verdade o nome que eu costumava comentar era o Atrey, com esse nome eles me encontraram no chat e nos comentários, por isso Eu gostaria de continuar usando esse nome.

  • Atrey
    Responder

    Eu não falo português, a Sara me disse que eu poderia responder em espanhol, mas eu queria tentar responder em português, usando o tradutor e com a Sara me supervisionando, então eu aprendi um pouco de vocabulário. A coisa mais séria que pode acontecer é que você ri um pouco por alguma frase estranha para colocar em algum comentário hahaha então eu acho que podemos viver com isso, Porseacaso peço perdão antecipadamente 😉 .

  • Andreia
    Responder

    Que testemunho interessante e que percurso original. Gostei muito de ler Sarita e foi um gosto conhecer o Koldo um bocadinho.

    • Sara
      Responder

      Sabia que ias gostar! Beijinho, Andy 😉

    • Atrey
      Responder

      Obrigado Andreia

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