Espiritualidade Sem Tretas Por Favor

Por Sara

Depois de muitas e longas conversas com uma comunidade de pessoas Sem Tretas, senti necessidade de vir arejar as ideias e desabafar em público. Eis o que se passa:

 

A “espiritualidade” foi engolida pelo mainstream

 

Longe da ideia disruptiva, e borderline anárquica, que inflama o Ser com a vontade de pensar por si mesmo, formar as suas ideias, descobrir as suas crenças, procurar em si o significado da Vida e d’ Isto tudo; chegámos ao ponto de saturação em que vemos adolescentes a apregoar a busca espiritual, o que é extremamente positivo, não fosse o facto de parecerem saídos/as dum anúncio lifestyle à la Vodafone. Ora, convenhamos, por mais rápida que seja a evolução dos jovens hoje em dia, com o constante acesso à informação e comendo tantos flocos de cereais fortificados, há que deixar amadurecer a fruta antes de colher… é preciso viver antes de ensinar os outros a viver, para isto não basta um diploma de lifecoach.

As redes sociais estão inundadas de self-proclaimed guru(a)s que dizem uma coisa e vendem outra, que agitam a bandeira do feminismo mas pousam nu(a)s constantemente “em nome da libertação da mulher”(/homem?)… Ora eu não tenho problema algum com a nudez, até achei interessante esta onda libertadora da mulher, mas já chega minha gente! Há quem viva única e exclusivamente a mostrar o corpo sob falsas premissas, e a garotada engole aquilo como sendo o verdadeiro significado de espiritualidade.

Com o que os outros fazem posso eu bem, ou podia, não fosse isso influenciar o mercado com uma verdadeira contra-informação espiritual. Não tarda nada vamos ver estas imagens de yogis e yoginis num retiro em Bali, de cristais ao pescoço e pé atrás da cabeça, quando, num descuido imperdoável à sua imagem de perfeição, entornam um smoothie verde no macacão de lycra arco-íris… e eis que o Skip entra em acção para os salvar! Pessoal, o mais triste é que eu estudei publicidade e este será com certeza o futuro backdrop dos anúncios televisivos, tal como já acontece com o product placement em contas de Instagram e Facebook d@s influencers digitais.

O que se vê cada vez mais nas redes sociais é um copy+paste abusivo entre páginas e contas, tudo a dizer o mesmo, com o mesmo aspecto, imagens alinhadinhas, centradas e photoshopadas, num padrão obsessivo-compulsivo por só partilhar o que é bom, bonito e saúdavel e um medo cada vez maior de mostrar um cabelo fora do lugar – ora isto não é o oposto do apregoado? Ser espiritual não é ser livre (tendo consciência do impacto que se tem sobre o outro)? Não teremos juntado mais um prego à cruz de perfeição que já é esperada do Ser Humano? Não estamos a perpectuar o culto do ego? A espicaçar a competição para ser “melhor” e ter mais seguidores?

A paciência tem limites e é preciso despertar deste pesadelo do “despertar espiritual” regrado, ritualizado, industrializado e alienado que nos invade os ecrãs, as livrarias, as lojas de roupa, etc, etc. E desculpem qualquer coisinha, se isto me saiu um pouco bruto e brusco, perdão, a lua está em carneiro e a minha tolerância para esta sell-out bullshit chegou ao zero.

PS: Previsões de #MadameSarita – Não tarda nada a “guruagem” toda vai começar a apregoar o conceito “Sem Tretas”… please.

PPS: Felizmente há cada vez mais pessoas a desesperar com esta nova trend, ao ponto de abandonarem as redes sociais definitivamente. Venha daí um novo mundo, um novo paradigma de interacção social, em que o que é de verdade acontece na vida real.

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