Rende-te Ao Destino

Por Sara

Há muuuuitos anos atrás, eu assistia a uma série chamada Wonderfalls e nela havia um dizer famoso, um autêntico slogan impresso em t-shirts e roupões de banho: “Surrender to Destiny”. Essa expressão marcou-me e sempre me acompanhou, apesar de já não pensar nela há bastante tempo.

Na altura entendi essa frase como uma desculpa para me libertar de responsabilidades, não ter que fazer planos ou usar o cérebro, e simplesmente deixar-me arrastar pela corrente. Afinal quem manda é o destino! Hoje recordei-a a propósito de duas ideias amplamente conhecidas (e aparentemente antagónicos) e que nos colocam perante a necessidade de escolha entre:

  • O caminho menos percorrido
  • O caminho de menor resistência

 

O caminho menos percorrido

 

Nunca li o livro “The Road Less Travelled”, escrito por M. Scott Peck em 1978, mas é uma expressão tão banalizada nos dias que correm que me parece um caso em que o título revela o conteúdo. É aquele chavão que se diz a quem está na dúvida entre ficar na mesmice ou arriscar e dar um salto para o desconhecido. Trata da problemática do pensarmos “inconscientes” do que estamos a pensar, ou seja, agirmos de forma automática sem de facto pararmos para reflectir e analisar as opções, removendo as crenças limitadoras que nos castram.

Sou totalmente a favor de explorar o caminho menos percorrido – eu própria deixei de trilhar um percurso comum há muito tempo e, aliás, nunca me identifiquei com o modelo de trabalho, família e obrigações sociais maioritariamente aceite (mas eu já lia livros da Mafaldinha desde miúda por isso sempre fui contestatária)! Faz todo o sentido seguir este caminho quando nos apercebemos que estamos numa postura de vitimização perante o Universo e precisamos de recuperar o controlo. No entanto…

 

O caminho de menor resistência

 

“Rende-te ao destino”. Na minha opinião, há que saber interpretar esta frase para ser entendida da maneira correcta. Já sei, por experiência própria (aliás, tudo o que escrevo aqui parte sempre da minha experiência, não posso falar sobre o que desconheço) que atirar-me de pés juntos para a água e deixar-me arrastar pela correnteza, descendo os rápidos aos encontrões, esbarrando de pedra em pedra, vai-me atirar para o fundo da catarata da vida.

É muito melhor descê-los dentro duma canoa, munidos com remos que nos ajudem a dar um toquezinho aqui e ali, mas sem tentarmos navegar contra a corrente. Não é preciso contrariarmos o desencadear natural das coisas e desafiar o status quo permanentemente, causando mais sofrimento e complicação do que o necessário. A vida deve ser prazerosa e fluir com naturalidade, como a água que escolhe o caminho mais fácil para percorrer até chegar finalmente ao destino onde vai desaguar. 

Ou seja, uma coisa é “rendermo-nos ao destino” sem consciência e a outra é fazê-lo com Consciência – conhecendo profundamente a fibra de que somos feitos, percebendo que se trata da mesma fibra que faz os outros e tudo à nossa volta, vibrando em sintonia com o Universo – aí sim, podemos largar as rédeas e deixar a Consciência fluir através de nós e levar-nos a servir o seu propósito. 

Só faz sentido controlar até certo ponto, a partir do qual o mais sábio é ignorarmos os desejos do nosso ego, que irá fazer das suas para continuar no comando, e escolhermos seguir o caminho de menor resistência. Se estivermos alinhados com os nossos desejos e confiarmos na lei da atracção, tudo o que necessitamos para atingir os nossos objectivos irá manifestar-se sem esforço. E como diz a canção “Que será, será.. whatever will be, will be”.

 

6 comentários
  • Patrícia Zen
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    “Só faz sentido controlar até certo ponto, a partir do qual o mais sábio é ignorarmos os desejos do nosso ego”. Sabes que uma das minhas questões sempre foi esta coisa do pré determinado, destino, propósito etc…. Acho que me esclareceste este ponto! Obrigada 🙂

    • Sara
      Responder

      É um equilíbrio muito delicado e difícil de conseguir, não se pode mentir… mas é o trabalho de uma vida!

  • Andreia Peres
    Responder

    Muito bom miúda, é este equilíbrio entre acção e aceitação do tempo da vida, do natural fluir das correntes, que nos permitem continuar a subir os degraus do autoconhecimento.

  • Liliana Ventura
    Responder

    Vivemos num mundo polarizado, de terceira dimensão.
    Se este mundo é dual, logo tem dois extremos que se polarizam, que se atraiem.
    Se estivermos muito num extremo, vamos atrair o outro extremo, para haver um equilíbrio, yang e ying.
    Então para não atraimos o extremo temos que procurar estar em equilíbrio, no caminho do meio.

    • Sara
      Responder

      Concordo plenamente contigo. Infelizmente acho que precisamos passar por um extremo e outro para depois seguirmos o caminho do meio, caso contrário não sabemos exactamente onde esse ponto fica! E sê bem-vinda ao Vikasa, Liliana 😉

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